O Aparente Fracasso de Jesus Cristo e a Doutrina do Triunfalismo

Texto de Joanilson Rodrigues

leia abaixo o texto de Joanilson Rodrigues_

Texto Introdutório

Evangelho de João capítulo 6

10 E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil.
12 E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.

14 Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo.

22 No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, a não ser aquele no qual os discípulos haviam entrado, e que Jesus não entrara com os seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sozinhos

25 E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui?
Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

64 Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.

65 E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido. 66 Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele. 67 Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?
68 Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

Texto de Joanilson Rodrigues

Calma! Antes de acreditar que o título deste artigo se trata de uma nova heresia quero declarar que creio firmemente em Deus e sei com convicção absoluta que Jesus Cristo é vencedor invicto, o rei dos reis e Senhor dos senhores. Eu sei.

Apenas para que possamos realizar esta meditação é necessário construirmos uma linha do tempo tanto dos fatos atinentes ao ministério de Cristo quanto aos dos dias atuais e do que se convencionou chamar de “o sucesso da igreja“, que, dentre outras coisas, está ligado a dados estatísticos de quantidades de adeptos que cada igreja tem ou mesmo, inversamente, de igrejas que são fechadas.

-Igreja fechada? Ah, não! – Dirá o fariseu moderno – Jesus disse que as portas do inferno não prevalecerão sobre ela, por isso, se uma igreja fechar significa que os seus Fundadores “quebraram a cara” e (consequentemente) não eram servos de Deus.

Dentro desse pensamento anterior podemos encontrar o que chamamos de senso comum sobre o assunto, pois possui indubitavelmente fragmentos de verdade ( já que está escrito na palavra) mas é justamente o “campo cego” que há neste retrovisor religioso que eu gostaria de trazer ao centro de nossa visão através deste artigo.

O “Campo cego” é uma faixa de imagem que o retrovisor do carro não alcança, sobretudo quando o carro vem de uma via periférica e vai entrar em outra principal. De repente, o motorista ouve uma forte e longa buzina porque, mesmo olhando para o retrovisor, não viu o carro que estava no ponto cego da via.

Parafraseando uma profecia transcrita no livro “Mãe de muitos filhos” entregue ao grupo de Barueri o Senhor diz ” Não vos apegueis a lugares, pois minha igreja se move rapidamente..”

A igreja não é um templo, nem tampouco uma Instituição ou organização, embora seja constantemente confundida com estas coisas.

Como hoje o discurso predominante nas igrejas cristãs é o do “triunfalismo” qualquer resultado diferente de “vitória”, “Tomar posse da benção”, “determinar o milagre” soa como uma espécie de “doutrina inferior” ou mesmo uma heresia.

Entenda bem, não sou o tipo de pessoa que gosta de sofrer ou não tem esperança em uma vida boa e melhor em todos os aspectos. Eu sei que a palavra fala sobre “verás se não há diferença entre o que serve e o que não serve a Deus…” mas esse é apenas um dos lados da moeda.

Eu defino o “triunfalismo” como a crença cristã baseada na ideia holywoodiana (proveniente do cinema americano) que os problemas sempre cessarão, as doenças serão extirpadas, as crises ou dificuldades financeiras findarão, e todos os problemas desaparecerão já nesta vida e preferencialmente quando alguém entregar determinada oferta ou realizar algum tipo de “sacrifício” para alcançar a benção, ou seja, o princípio da “graça” (concessão de um favor não merecido) é totalmente descartado.

Gert Hosteede um holandês estudioso de culturas define “cultura” como a programação coletiva da mente. O aspecto mais relevante para falarmos sobre o triunfalismo é justamente que as mentes de cristãos estão programadas para pensarem dessa forma vencedora e triunfal, o que gera, diante da realidade da vida, tremendas frustrações, revolta, amargura e rancor contra Deus quando os resultados não são estes do êxito sobre tudo e todos. Como então reprogramar nossa mente? Primeiramente ouvindo mais da palavra de Deus conforme nos ensina  o livro de Romanos 10:17: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”

Quando lemos as histórias bíblicas de milagres pela segunda, terceira ou décima vez, corremos o risco de perdermos gravemente a percepção de gravidade dos fatos porque já sabemos o desfecho (conhecemos o final). Quando temos a plena consciência do final de uma história a nossa mente cria uma sinapse conclusiva que programa a nossa mente para determinada resposta e não concebemos com naturalidade um outro desfecho que não seja o que conhecemos.

Você pode dizer: “Isso é obvio…sobretudo quando se tratam de fatos, não há o que interpretar, inferir ou distorcer… isso é perigoso, tanto para a história (que lida com fatos e documentos) quanto para a fé ( que lida com as verdades de Deus)

Ao olharmos para esta passagem tendemos a ir para o seu final, no qual Pedro diz: ” A quem iremos? só tu tens as palavras de vida eterna…”

Em nossa vida, sabemos do passado e do presente, mas não sabemos o que nos acontecerá no futuro e quando Deus fará justiça sobre aquilo que foi tirado (injustamente) de nós. Estudamos a palavra de Deus, dentre outras coisas, para descobrir e aprender esses padrões com pessoas que passaram por fatos semelhantes aos de nossa vida para entendermos qual foi o fim da história e o que Deus fez por elas no final.

Por isso, o capítulo seis do evangelho de João traz o relato daquilo que aparentemente é o maior fracasso de Jesus em seu ministério. Esqueçamos por um instante o que sabemos sobre as belíssimas palavras de Pedro quase no final do Capítulo. Deixemos de lado também o nosso conhecimento sobre o grande crescimento do Cristianismo e de como essa fé se espalhou pela terra cumprindo a visão do profeta Daniel sobre  a interpretação do sonho do Rei Nabucodonosor sobre a pedra que Destruía  a estátua com cabeça de ouro, peito de prata, ventre de bronze, pernas de ferro e pés metade de ferro e metade de Barro, simbolizando a difusão do Cristianismo sobre a terra em contraposição aos distintos reinados que oprimiram o povo de Israel.

Bem, grande parte disso já aconteceu ou está acontecendo. O Cristianismo tem mais de dois bilhões de fiéis confessos no mundo e por isso esta passagem do aparente fracasso de Jesus em manter os seguidores já conquistados pode parecer sem propósito, mas não é. O episódio nos traz valiosas lições sobre julgamentos errôneos e rasos que vejo nos dias atuais, quando cristãos avaliam o “sucesso” das igrejas pelo número de seguidores que elas têm.

Diante dessa desistência simultânea de milhares, um fariseu moderno diria a Jesus nos dias de hoje: ” Quebrou a cara, hein? de um total de cinco mil homens, você ficou apenas com doze? E isto ocorreu de um diz para outro? Quer um conselho, Jesus? Desista! O seu ministério já provou ser um fracasso porque ninguém perde tantos membros assim se não for um fracassado total !”

Hoje sabendo do desfecho da história de Cristo, não cabe em nossas mentes uma afirmação dessas, mas ela seria plausível para quem visse os fatos naquele instante.

No último dia 21 de agosto de 2012, faleceu o pastor Aristóteles Alencar, pai do famoso Pastor Jabes de Alencar, presidente da igreja Assembleia de Deus do Bom Retiro em São Paulo.

Segundo o pastor Paulo Romeiro, da igreja Cristã da Trindade situada no Jabaquara, em seu programa na Rádio Musical do último dia 25 de agosto, o falecido Pastor Aristóles que foi fundador da A.D. Bom Retiro,  disse que ouviu de seus parentes durante velório, que ele teria dito que “nos dias atuais não conseguiria ser pastor…  e não encheria igrejas com sua pregação de arrependimento e santidade diante de Deus.”

Ao ouvir uma afirmação tão forte quanto essa, me pus a pensar justamente sobre o “aparente fracasso de Jesus” diante daquela multidão que não queria mais ouvir as suas palavras, mas somente “comer mais pão” caso ele fosse realizar um novo milagre de multiplicação.

A grande pergunta é: temos o direito de chamar de fracassados os pastores que fecharam igrejas? Nós estamos pensando como os pagãos que a voz do povo é a voz de Deus?

Em outro artigo, escrevi sobre o Ministério profético de Jeremias, no qual abordo a absurda rejeição que este profeta sofreu. Jeremias foi rejeitado por:

  1. Seus vizinhos (Jer. 11: 19-21)
  2. Por sua própria família (Jer. 12:6)
  3. Pelos Sacerdotes e Profetas ( jer. 20:1-2)
  4. Por seus amigos ( Jer. 20:10)
  5. Por todo o povo (Jer. 26:8)
  6. Pelo Rei ( Jer. 36:23)

São muitas as semelhanças entre o ministério de Jeremias e o que aconteceu com Jesus nesta passagem descrita no capítulo seis do evangelho de João, por isso sugiro que leia também este outro artigo: ” O ministério profético de Jeremias.

Jesus tem palavras de vida eterna, mas parte das pessoas que confessam segui-lo querem mesmo é se “saciar” e infelizmente, não é saciar-se da palavra de Deus, mas de coisas materiais. O discurso de que as pessoas terão bens, fartura, prosperidade é certamente o que mais agrada e atrai as multidões que lotam as igrejas nos dias atuais, tornando a igreja uma entidade contraditoriamente materialista, pois todo o discurso espiritual tem como fim, quase que unicamente a saciedade material e o bem estar, que é um conceito amplamente difundido hoje e internacionalmente como “wellness”.

Não creio que haja somente “vida espiritual” e que os aspectos materiais da vida não importam. Aliás, percebo que os pregadores que mais pregam contra a tal “doutrina da prosperidade”( *que, diga-se de passagem, tem muitos erros mesmo) são pessoas que não passam por quaisquer dificuldades materiais e para elas é muito fácil simplesmente pregar a vida espiritual desvinculada da material, mas isso é outro assunto que abordarei em outro artigo.

Na Grécia antiga chamavam a esse modo de pensar de Hedonismo, que podemos chamar de “a busca do prazer”. Um pouco mais tarde, Epicuro, também na Grécia, procurou aprimorar este conceito incluindo nele a ausência de sofrimento físico (Ataraxia) e  de sofrimento da alma (aponia) como ideais de felicidade o que ficou conhecido como Epicurismo. No cenário dos dias atuais podemos dizer que a fusão destes dois conceitos resultam na ideia principal de  “a busca pela felicidade” somado ao conceito acessório de “distribuição de riqueza e responsabilidade social”.

Na prática significa que o objetivo máximo da vida é “ser feliz e ter prazer” e… Se for possível, de forma complementar a essa “felicidade”, ajudar alguém quando possível. Isso será algo louvável, mas definitivamente não deve ser a prioridade na vida de alguém que de fato queira ser feliz. De maneira implícita ou explicita  essa filosofia preenche o roteiro das novelas globais e, conscientemente ou não, são muitos os adeptos deste ponto de vista filosófico.

Casamentos e até contratos comerciais são desfeitos rapidamente baseados neste conceito de “eu tenho direito de ser feliz”, já que a contrariedade não deve fazer parte da vida.

O senso comum

Idéias populares do tipo “A voz do povo é a voz de Deus…” confundem ainda mais os que seguem a Jesus Cristo. Eu me refiro ao Jesus da Bíblia e não necessariamente o Jesus “das igrejas”… porque tal é a discrepância entre os dois que confundem a muitos nos dias atuais.

Se realmente a “voz do povo” fosse também a “voz de Deus”, quando Pôncio Pilatos perguntou à multidão qual dos dois prisioneiros deveria ser solto jamais gritariam: “Barrabás! Solte Barrabás!” e muito menos quando perguntou o que deveria fazer com aquele Jesus a quem chamavam de Cristo, gritariam ” Crucifica-o! Crucifica-o!”

Por isso a verdadeira fé em Jesus Cristo e nas sagradas escrituras devem verdadeiramente desafiar o senso comum sobre o que seja o “Sucesso” ou a “felicidade”.  Para não fugir do assunto proposto quero me ater aos aspectos do conceito de  “sucesso da igreja” .

O que é uma igreja de sucesso?

Se ter sucesso em uma igreja é mantê-la cheia de membros dizimistas, Jesus Fracassou feio nesta passagem bíblica do capítulo seis do evangelho de João! Como algum pregador que se diga “de respeito” pode perder mais de cinco mil pessoas de um dia para outro?

O nosso senso comum nos diz que seria razoável talvez 10% ir embora se ele fosse no mínimo um Excelente pregador ou uma excelente pessoa.  Eu diria que entre poderíamos classificá-lo de bom se perdesse entre 20% e 40%, mas ainda assim… justificar um “montante” desse de um dia para o outro seria muito complicado!

Jesus Perdeu 100% de seu “público” de um dia para outro. 100%. É razoável uma perda nesse patamar?Como o seu ministério seria avaliado pelos religiosos se fizessem uma avaliação naquele momento? E nos dias atuais,usando do senso comum, como estão sendo avaliadas as igrejas que estão vazias? Os fariseus em regojizo dirão: “É, eles estão quebrando a cara!” ?? Não é assim que agem os religiosos e falsos seguidores de Cristo em suas avaliações?

Jesus nos alertou que os que amam os seus mandamentos devem andar nos mesmos passos que ele andou. Disse também que se odiaram a ele, odiarão a nós e também que “se perseguiram a ele, também perseguirão a nós”.

Embora esta reflexão possa ser salutar, creio que o aspecto mais importante a aprendermos nesta passagem é de que não se trata, de forma alguma, de um trecho isolado das sagradas escrituras, mas sim de um quase padrão de Deus. Vejamos algumas outras passagens para podermos comparar o “aparente fracasso de Cristo” como o “Aparente fracasso de outros”.

Capítulo 11 de hebreus, versículos 13, 35-40

Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Hebreus 11:13

As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos(*Vitória); uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados. (Hebreus 11:35-40)

Este trecho de Hebreus 11 descreve também o “Aparente fracasso” dos filhos de Deus tomando passagens do antigo e do novo testamento, já que provavelmente irmãos da recém criada igreja já padeciam perseguições e muitos já haviam sido mortos por causa de Cristo.

Qual a avaliação que o mundo faz sobre aqueles que “morreram sem terem recebido as promessas de Deus”?

O que dizer sobre os que foram escarnecidos (debochados, ridicularizados) e acoitados (apanharam, levaram surras, chibatadas e varadas)?

Como explicar que eles foram desamparados, aflitos e maltratados? “Como Deus permitiu isso? “- podemos nos perguntar, já que ouvimos tanto as pessoas dizendo: “Deus não permitirá…Ele não deixará que aconteça…”

Não estou apregoando que o sofrimento seja agradável ou desejável, pois eu sei que não é. Mesmo nosso Senhor Jesus Cristo perguntou ao pai se era possível que o cálice da morte que traria tamanho sofrimento fosse afastado dele.  Se houvesse outro meio de salvar o homem, certamente Jesus teria preferido. Qualquer um de nós faria o mesmo, pois o sofrimento não é natural ao homem.

Então por que há o “consentimento de Deus” para o sofrimento ou para aquilo que aparentemente é uma derrota? Essa é a grande questão que todos os teólogos e religiosos de todos os tempos tentam responder.

Um dos maiores entraves para obtermos a resposta completa é que nossa fé apega-se somente em alguns aspectos da palavra de Deus, preferencialmente os mais agradáveis e desconsiderando outros que contradizem nossa expectativa hedonista de prazer e bem estar. Queremos ficar “bem na fita”, ou seja, recebermos – além do prazer,bens, fama e bem estar – o “reconhecimento” e a “autenticação” de nossos atos e palavras de fé por uma multidão que deve nos aprovar e confirmar que “aquilo é de Deus”. Desculpe-me, mas o texto de Hebreus 11 desmonta completamente essa ideia. A passagem de João 6, dissecada desde o início deste artigo, também.

Como o compositor Renato Russo, dizemos com facilidade que “não precisamos provar nada pra ninguém“, mas na verdade o peso que tem “o que estão dizendo ou pensando” de nós desmente rapidamente este jargão nos fazendo passar um verdadeiro “carão” diante da verdade, pois nos preocupamos muito com nossa imagem ou com o que pensam de nosso “sucesso” ou “insucesso”. Queremos um carro novo, uma casa nova ou uma viagem, não porque precisamos, mas por alguém do nosso círculo (de trabalho, estudos ou vizinhança) obteve tais coisas.

Jesus viu a multidão abandoná-lo e liberou inclusive os doze discípulos para fazerem o mesmo. A Solidão da liderança é algo para ser experimentado pelos poucos e autênticos servos de Deus. Assim aconteceu com os profetas e assim aconteceu com nosso Senhor Jesus Cristo que sabia que deveria estar só e não ceder ao impulso do momento como fez, por exemplo, Esaú ao trocar a sua primogenitura por um simples prato de lentilha, episódio narrado tanto em Gênesis quanto em Hebreus

Quando Jesus estava na cruz, então, creio ter sido o momento mais difícil para que não cedesse aos apelos de “Desça da cruz se for realmente Deus…” Neste momento, humanamente falando qualquer um de nós poderia ceder a tentação e não só descermos da cruz, mas esmagarmos sem piedade nossos escarnecedores e algozes, mas Jesus não fez isso, ao contrário, com amor disse: “Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem.”

Na verdade este desafio feito na cruz a Jesus foi feito durante todo o seu ministério:

Satanás desafiou Jesus para que se jogasse do monte para provar que era Deus. Ele não se Jogou.

Os habitantes de Nazaré o desafiaram a fazer algum milagre para que cressem. Ele não fez.

-Mesmo tendo nascido em Belém (sendo portanto um autêntico “Belemita”) Jesus não desmentiu quando o chamaram de “Nazareno” por haver sido criado na cidade de Nazaré.

-Os homens pediram para que descesse da cruz. Ele não desceu.

A verdade é que os pensamentos de Deus estão muito acima dos nossos e a sua “lógica” não obedece a nossa, mesmo que ela seja religiosa e baseada em trechos da própria palavra de Deus. Aqui, além da lógica há o aspecto de nossa “honra pessoal”, a nossa “imagem social“, ou seja, aquilo que a sociedade pensa e fala sobre mim.

Deixar baterem em nossa face e oferecer o outro lado parece ilógico e atenta contra nosso amor próprio. Falar bem de quem nos calunia, da mesma forma não se amolda com perfeição ao nosso padrão social de defesa de nossa imagem. Orar pelos que lançam calúnias a nosso respeito? Nem pensar!

Essas ordens expressas por Jesus em Lucas 6:26-38, quando ele começa a longa exortação dizendo: ” Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas. ” Lucas 6:26

Se o conceito de “ser amigo de Deus” significa que eu terei privilégios nesta terra que outros homens não terão, podemos dizer que José, marido de Maria, também fracassou em obter óbvios privilégios, porque quando Jesus Cristo, o criador do Universo e filho do Deus altíssimo ia nascer neste mundo sequer tinha um mínimo quarto de hotel ou acomodações dignas de um “mero rei” deste mundo. José viveu o constrangimento de ter a aprovação de Deus, mas não receber privilégio algum por isso enquanto era incumbido de cuidar do filho do Altíssimo Deus. Parece paradoxal, mas não é.

A mensagem do evangelho é clara e é uma só. Distorções podem ser criadas , mas a sua mensagem não  é nada confusa, porque Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente.

Paulo, o apóstolo, talvez seja o melhor exemplo do que significa ser amigo de Deus e não gozar de privilégios por conta disso. O que parece ser fracasso, na verdade é a vitória que vem de Deus. O que parece motivo de vergonha, na verdade é motivo de grande júbilo e glória diante de Deus.

Leia o capítulo 11 de II Coríntios dos versículos 22 ao 30:

” São hebreus? também eu. São israelitas? também eu. São descendência de Abraão? também eu.
São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um.( *195 chibatadas) Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase? Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza.”

Não precisamos investir muito tempo na interpretação deste texto, pois ele é bem simples e direto: Acoites, prisões (que vexame!), perigos diversos, frio, nudez, sede, fome, fadiga, opressão…Tudo isso como “prêmio” por pregar o evangelho e fazer a vontade de Deus.

Você que chegou até este ponto da leitura está entendendo-a? Quando lemos que em tempos bíblicos as pessoas abandonaram a Jesus e que a sua mensagem não tinha um consenso dos religiosos judeus da época, não relacionamos diretamente com os dias atuais.

O pregador Pedro Arruda, colunista da revista Impacto, diz que os judeus da época de Jesus preferiram ficar com o judaísmo do que com Cristo e que nos dias atuais é possível que cristãos façam algo semelhante, preferindo ficar com o Cristianismo ao invés de Cristo.

Liderei por alguns anos uma pequena comunidade cristã que fechou. Não era uma igreja, mas sim um grupo de pessoas que pregavam para católicos e evangélicos. Fiquei muito triste ao ver o regozijo de algumas pessoas dizendo: “quebrou a cara! É… isso não devia ser de Deus mesmo, porque se fosse… teria permanecido!”

As minhas mensagens estão neste site e  espalhadas pela Internet, e tanto Deus quanto as pessoas podem avaliá-las se são ou não de Deus. Hoje eu sei, ao receber esta mensagem do coração de  meu senhor Jesus Cristo, que aquilo que chamam de fracasso, na verdade é a glória de Deus manisfesta em minha vida. Porque a ninguém enganei ou fraudei e se estive com fome, nudez, até entre falsos irmãos (embora tenha convivido também com verdadeiros…) se falam mal de mim, se há açoites, prisões e vergonha para o meu ministério, então realmente é o sinal de que Deus está nisso e a minha preocupação deve ater-se somente ao que ele, o Senhor, pensa de mim, não os fariseus que nada fizeram a não ser o uso da crítica sem nada terem construído.

Como disse o já saudoso Pastor Aristóteles Alencar, citado neste artigo, não sei se há uma igreja para eu dirigir no cenário atual do mundo. Pregações como a minha não se encaixam no desejo e na necessidade triunfal das pessoas. Permaneço servindo a Deus e aconselhando aflitos que é o que eu sei fazer de melhor, buscando eu mesmo a consolação de Deus para minha vida e todas as aflições e derrotas que já sofri, mesmo sabendo que “em Cristo” sou mais do que vencedor. Por hora, meus inimigos triunfam sobre mim. Deus permite. Sendo ele soberano haverá um tempo de juízo e justiça sobre eles. Este tempo não cabe a mim inquirir ou requisitar de Deus. Ele é o Senhor, eu sou apenas servo. Oro apenas para que possa suportar a espera e que minha família não perca a esperança e a certeza de sua bondade e justiça.

Eu também creio que haverá um tempo em que todas as nossas lágrimas serão enxugadas. Eu creio que haverá um tempo em que o Senhor fará justiça sobre o que roubaram de nós, restituindo se assim lhe aprouver. Eu creio. Enquanto espero, medito nas palavras que confirmam a minha esperança:

Mateus 5:1-16

” E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.

Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. “

Jesus foi, mas ele voltará. Diz o livro do apocalipse:

” E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão. E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre.
E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer.
Eis que presto venho: Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. “Apocalipse 22:3-7

” Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda. E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro.  Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.
Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.
E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida. ” Apocalipse 22:11-17

Texto de Joanilson Rodrigues

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